 | A Origem
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Filho de professores, cujo
maior patrimônio eram os nove filhos, Júlio César nasceu no Rio de
Janeiro, no dia 06 de maio de 1895.
Freqüentava as tertúlias
onde costumava contar histórias. Suas histórias tinham as vezes muitos
personagens, alguns deles com nomes esquisitos como Mardukbarian,
Protocholóski, Orônsio e outros sem função no contexto. A infância
tranqüila em Queluz, as peripécias de Júlio César e suas relações
familiares foram mais tarde descritas pelo irmão escritor João Batista,
no livro Os meninos de Queluz. Aos dez anos foi enviado pelo pai ao Rio
onde deveria se preparar para o Colégio Militar. Coube a João Batista,
por ser o mais velho, a tarefa de orientá-lo e mais que isso, fazê-lo
estudar. Preocupado, escreveu certa vez ao pai informando sobre Júlio César:
Não sei como o Julinho vai
se sair no exame: escreve mal e é uma negação em matemática.
Contrariando as previsões
pessimistas do irmão, Júlio César ingressou no Colégio Militar do Rio
de Janeiro em 1906, onde permaneceu até 1909 quando se transferiu para o
Colégio Pedro II.
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 | Mercador de Esperanças
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O dinheiro que Júlio César
recebia do pai era muito pouco e assim, resolveu aumentar a mesada,
vendendo redações. Certa feita o professor mandou fazer uma redação
com o tema Esperança. Júlio César fez várias redações diferentes
Vejamos o que ele próprio diz no livro de memória
Acordaram-me
de Madrugada: Na nossa turma havia uns sete ou oito que eram marginais da
cola, vadios da pior marca. Pela manhã, depois do café, vendi as quatro
esperanças a quatrocentos reis cada uma! Como mercador de esperanças o
meu êxito, naquele dia foi espantoso.
A partir de então passou a
escrever sob encomenda e vender esperanças, ódios, saudades...
Anos depois, encontrou o
professor Silva Ramos, seu ex-professor e sua vítima que o apresentou a
Raul Pederneiras, como mercador de redações. Pederneiras o repreendeu:
Você vendia redações de ódios e de esperanças!. Despreze o ódio.
Continue, sempre que for possível a vender a esperança pela vida. Adote
um profissão poética: Mercador de Esperança, que na venda da esperança
ganha o Comprador e muito mais o Vendedor.
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 | Início da carreira de professor
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Júlio César não foi bom
aluno de matemática no Colégio Pedro II: chegou a tirar dois em uma
sabatina de álgebra e cinco em uma prova de aritmética. Criticava
veementemente a didática da época que classificava como o detestável método
de salivação.
Vocacionado para o magistério,
concluiu o curso de professor primário na Escola Normal do antigo
Distrito Federal e, depois diplomou-se em Engenharia Civil pela Escola
Politécnica em 1913.
Iniciou suas atividades
profissionais como servente e auxiliar interino da Biblioteca Nacional,
privilegiada oportunidade de conviver com milhares de livros. A sua
carreira de professor começou nas turmas suplementares do Externato do
Colégio Pedro II. Depois, assumiu a docência na Escola Normal. Lecionou
para menores carentes. Tornou-se mais tarde catedrático do Colégio Pedro
II, do Instituto de Educação, da Escola Normal da Universidade do Brasil
e da Faculdade Nacional de Educação, onde recebeu o título de Prof. Emérito.
Nas aulas, trabalhava com
estudo dirigido, manipulação de objetos e propôs a criação de laboratórios
de matemática em todas as escolas.
Em seu depoimento no Museu
da Imagem e do Som, Júlio César admitiu não dar zeros:Por que dar
zeros, se há tantos números? Dar zero é uma tolice.
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 | Nasce Malba Tahan
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Em 1919 Júlio César, depois de tentar inutilmente publicar alguns
artigos seus, no jornal O Imparcial onde trabalhava, convenceu o editor a
publicar os artigos de um certo R. S. Slade, que, segundo ele,
estava fazendo enorme sucesso nos Estados Unidos. O primeiro de todos os
artigos publicados com o pseudônimo R.S. Slade foi A vingança do
Judeu. Entre 1918 e 1925, Júlio César estudou árabe, leu o Talmude
e o Corão, estudou História e Geografia do Oriente e, combinado com
Irineu Marinho, do jornal A NOITE, criou o personagem Ali Iezid
Izz-Eduim Ibn Salim Hank Malba Tahan.
O personagem nasceu em 1885 na Arábia Saudita, e bastante jovem
foi prefeito (queimaçã) de El Medina. Com a herança do pai, Tahan ficou
riquíssimo e viajou por vários países como a Rússia, a Índia e o Japão,
morrendo em 1921, na luta pela libertação de uma tribo na Arábia
Central. Para maior verossimilhança foi criado também um
"tradutor" para a obra de Tahan, o professor Breno de Alencar
Bianco. O jornal começou a publicação dos CONTOS DE MALBA TAHAN com
a biografia do suposto autor. O nome Tahan foi tirado do sobrenome de
uma de suas alunas (Maria Zachsuk Tahan) e significa moleiro. O
nome Malba significaria oásis. A mudança de nome tornou-o tão famoso
que o presidente Getúlio Vargas autorizou-o a usar o nome Malba Tahan na
sua cédula de identidade.
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 | O Homem que calculava
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Júlio César só saiu do
Brasil para visitar Lisboa, Montevidéu e Buenos Aires: jamais esteve no
Oriente, jamais viu um deserto!
Com o pseudônimo de Malba
Tahan publicou cerca de 56 livros. Sua obra é bastante diversificada:
trata de matemática, didática, contos orientais, contos infantis,
teatro, moral religiosa, temas brasileiros, etc. O livro preferido de
Malba Tahan era a Sombra do Arco-íris mas, o seu livro mais famoso é O
Homem que Calculava, que conta a história de um árabe que usa a
matemática para resolver qualquer tipo de problema. A obra foi premiada
pela Academia Brasileira de Letras.
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 | Justiça!
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Durante seus quase oitenta
anos ministrou cursos e ministrou mais de duas mil palestras para
professores e estudantes, especialmente normalistas. Em 1954 esteve em
Fortaleza proferindo palestras no Colégio Militar, no Instituto de Educação
e no Clube Líbano.
Julio César foi ainda
apresentador de programa nas rádios Nacional, Clube e Mairynk Veiga do
Rio e da TV Tupi (Rio) e Canal 2 (atual TVC - São Paulo).
O Brasil não tem feito
justiça ao grande matemático. No ano do centenário de seu nascimento
apenas as Revistas Superinteressante e Nova Escola lhe homenagearam. Seu
livro mais famoso, o Homem que Calculava, que já ultrapassou a 45ª edição,
vendeu mais de dois milhões de exemplares, foi traduzido para o alemão,
o inglês, nos Estados Unidos e na Inglaterra, o Italiano, o espanhol e o
catalão. O Homem que Calculava é indicado como livro paradidático em vários
países, citado na Revista Book Report e em várias publicações do gênero.
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 | Um Pioneiro
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Malba
Tahan foi o precursor do de uma nova tendência que se afirma com vigor e tem adeptos em todo o Brasil: a Educação
Matemática. Pioneiramente trabalhou com a História da Matemática,
defendeu com veemência a resolução de exercícios sem o uso mecânico
de fórmulas, valorizando o raciocínio e utilizou atividades lúdicas
para o ensino da matemática. Muito antes de se tratar no País da
interdisciplinaridade, Malba Tahan preocupou-se com a unificação das ciências
como demonstra na sua tese, o professor John Conway da Universidade de
Princeton. Sua obra tem sido objeto de diversas teses no exterior e
comentada pela Revista Science (1993) e pela profa. Rossana Taziolli da
Societá Italiana di Scienze Matematiche e Fisiche.
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 | Uassalã
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Malba Tahan ocupou a
cadeira número 8 da Academia Pernambucana de Letras, é nome de escola no
Rio de Janeiro. A homenagem mais importante foi prestada pela Assembléia
Legislativa do Rio de Janeiro instituindo o dia do matemático na data de seu nascimento, dia 06 de maio.
Privados da presença
do grande mestre há um quarto de século, confortamo-nos com o seu
precioso legado, inequívoca contribuição para a difusão da ciência e
a desmistificação da matemática .
Que Allah o tenha em
sua glória, ulemá Tahan! Uassalã!
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